20.9.05

E a semana continua: depois do lançamento do livro, ontem, Jessica, minha filha mais velha, vai cantar no Municipal de Niterói amanhã, com o Coral do Centro Educacional, onde já milita há alguns anos. O coral é tudo de bom, eles arrasam. Não por acaso, a lotação do teatro já está esgotada. Este pai coruja estará lá animadíssimo. Rebeca, minha caçula, deve cantar também, se melhorar de um resfriado que pegou.

13.9.05


Semana de contagem regressiva para o lançamento do novo livro. É só clicar na imagem para ver os detalhes.

2.9.05

Amanhã, às 10h, eu e mestre Fernando de Oliveira daremos uma entrevista no programa da Promo Info na Rede Record sobre o novo livro, escrito junto com mestre Aroaldo Veneu, "Linux: comece aqui".

O lançamento do livro já está marcado: vai ser dia 19 de setembro, na Letras e Expressões, em Ipanema, a partir das 20h. Em breve vou botar um JPG do convite aqui.

31.8.05

Moçada, que inverno é esse, hein? Fala sério, dá vontade de ir para a praia...

21.8.05

Minicontos do desconforto -- 80

Tocou a música que havia sido "dela", na adolescência.

Eles estavam alegres, haviam dançado e bebido pequenas batidas geladinhas de morango; estavam naquele território que fica entre iniciar o vôo para o nirvana ou se render ao desejo tão sublimado na busca da perfeição (perfeição lá para as nêgas do Buda, né?, que para nosso corpo sedento e trêmulo não serve mesmo, pensou ele, dominado pela vodca). Ele se sentou um pouco, ouvindo os acordes suaves.

Então, de repente ela o olhou de um modo estranho.

-- Você se importa se eu te beijar?

-- É claro que não -- ele se ouviu dizer numa voz cheia de nonchalance, que escondia a tensão súbita.

Ela deu-lhe um pequenino beijo nos lábios. Ele ficou insatisfeito. Veio outro beijo tímido, mais um, mais um e então ele lhe tocou os cabelos, acariciando sua nuca e sentindo todo aquele calor sólido subir-lhe pelo meio das pernas, exatamente como sentiu o caseiro de Lady Chatterley. A ereção foi pronta e inevitável.

E exatamente aí ela abriu a boca e as línguas deslizaram livres e sem vergonha, sem culpa, e então o beijo foi sôfrego como uma espera embutida no palato durante anos; as colcheias da música pareciam estar dentro da boca perfumada, as cifras do violão inscritas no batom delicado que se misturava aos líquidos amorosos, à respiração que parecia gemer e sussurrar dialetos perdidos no tempo, na relva e nas fontes dos jardins babilônicos.

Ele a abraçou, envolveu seu corpo no laço de seus músculos; o beijo ficou mais intenso e as línguas eram como katanas forjadas em carbono, que se tocavam e recuavam em movimentos ensaiados, cuidadosos, mas tão intensos que tudo à volta deles sumiu de repente e ambos se sentiram em outro lugar, em outra época, uma época pagã, livre, algo debochada, onde havia correntezas de vinho e sombras generosas com um frescor realmente novo.

A música voltou quando ela deitou devagar a cabeça em seu peito.

Eis a verdadeira sabedoria, a sabedoria do gesto: beijar, pensou ele. Para que se livrar do desejo, se é justamente ele que leva à ausência de sofrimento? O desejo é o cerne de nossa condição, refletiu. E não apenas o desejo de possuir -- ali, o desejo era de se entregar, de (se possível) arrancar sua alma, dobrá-la e dar de presente a ela.

Ele já saíra com muitas amigas, e muitas vezes quisera dizer-lhes o que ia na alma com um beijo, porque a certo momento da noite as palavras se retiravam para dormir. Mas a maioria não havia compreendido essa vontade premente.

Ela mudara isso e não percebera. Mas ele nunca se sentira tão feliz.

Ela abriu sua alma para ele o resto da noite, falando de todos os seus conflitos interiores. Ele ouviu e deu sua opinião. Mas, toda vez que queria falar de si e do que sentia, simplesmente a beijava com ardor.

E nunca ele foi tão eloqüente.

17.8.05

Come on Charlotte
Wake up San Diego, Milwaukie, Miami
Put your two lips together and kiss

We're kissin' in Cleveland,
and Cincinnatti too
Way out in Chicago, I'll tell you what to do
They party all over, even in St. Lou
So baby get ready and I'll be kissin' you

Oh, oh, 'cause anytime is kissin' time, USA
So treat me right, don't make me fight
And we'll rock and roll tonight

We're kissin' in Dallas
And Philly's goin' wild
So let's Kiss Atlanta, ho
You know we'll make it smile
We love the women
Way down in Tennessee
So baby come on now
and start a-kissin' me

Oh, oh, 'cause anytime is kissin' time, USA
So treat me right, don't make me fight
And we'll rock and roll tonight

Kiss all of Seattle, LA to Baltimore
You know we been kissin' in 'Frisco,
so lets kiss some more
Let's do it in Detroit,
they all know the score
So baby, oh baby, what are we waitin' for!!

("Kissin' Time", gravada pelo Kiss em 1973)

2.8.05


Repetindo o post do Cadafalso I:

Acaba de sair do prelo meu novo livro, escrito junto com Fernando de Oliveira e Aroaldo Veneu. "Linux: Comece Aqui" é o título, e ele é o diário de um usuário que se encontra pela primeira vez com o sistema operacional de código-fonte aberto simbolizado pelo pingüim, e conta sua experiência. O livro é voltado para quem não conhece o Linux e foi baseado na distribuição Fedora Core 2. Em breve, aviso aqui quando e onde será a noite de autógrafos. O prefácio do livro é de Mr. Marcelo Balbio e a quarta capa, de Elis Monteiro.

31.7.05

Crib Tanaka estava no casório também, linda como sempre. Mestre Agusto Sales apareceu por lá e Fernando de Oliveira também.

Estou devendo um conto a Crib. Prometi que não vou enrolar mais.
Aliás, genial tirada do Maloca, irritado com o pessoal da filmagem e das fotos que não deixava ninguém em paz:

-- Hoje em dia as pessoas não querem mais elaborar uma lembrança. Elas querem apenas um registro objetivo do que aconteceu. Quando viajam, as pessoas querem ver tudo através da câmera e se esquecem de fruir o momento, se esqucem de que o que vale mesmo é reconstruir este momento em sua mente.
Ontem foi o casamento do Gustavo e da Marcele, em Botafogo. Uma capela simpática, escondida num jardim, foi o palco. A cerimônia foi bonita. Marcele estava linda e Gustavo, meu guitarman preferido, elegante. Maloca Mendes, baixista do Aerosilva, estava um mafioso perfeito, todo de cinza: só faltava aquele estojo de violino escondendo a metralhadora.

No começo, levei um susto. Estava fumando um cigarro ao pé da escada que levava à capela quando um segurança me abordou:

-- Com licença, o senhor é que é o padre?

Eu sorri.

-- Não, meu filho. Eu vivo eternamente em pecado. Não faz isso comigo, não.

Depois, avisei ao Gus para tomar cuidado, que ele corria o risco de ter o casamento celebrado por seu batera...

A festa foi animada e, como terminou cedo, fomos todos para a casa do Maloca encerrar a noite. Uma turma muito boa, que nem sempre é reunida, o que é uma pena: Maloca, Sérgio Maggi, Rodrigão, Edmundo, Franciney, Raquel, Cristiane... Rimos muito, embalados por Bohemias e Skols.

18.7.05

A eleição de 2006 vai ter um clima de velório terrível. É só o que consigo pensar quando vejo o espetáculo do crescimento das denúncias na TV.

Nem Dias Gomes escreveria novela tão rocambolesca.

22.6.05

Adorei o novo filme do Batman. Gosto do herói, principalmente depois que ele retomou seu clima original com a publicação de "O cavaleiro das trevas", de Frank Miller, nos anos 80.

14.6.05

Há momentos em que as coisas simplesmente dão errado. Não adianta querer tapar o sol com a peneira e continuar falando amenidades quando uma sombra pesada se instala na sua cabeça: melhor calar e ir embora. Nesse ponto eu sou totalmente transparente. Não sei fingir que está tudo bem.

10.6.05

The poetry of earth is never dead:
When all the birds are faint with the hot sun,
And hide in cooling trees, a voice will run
From hedge to hedge about the new-mown mead.
That is the grasshopper’s—he takes the lead
In summer luxury,—he has never done
With his delights, for when tired out with fun,
He rests at ease beneath some pleasant weed.
The poetry of earth is ceasing never:
On a lone winter evening, when the frost
Has wrought a silence, from the stove there shrills
The Cricket’s song, in warmth increasing ever,
And seems to one in drowsiness half-lost,
The Grasshopper’s among some grassy hills.

(Keats, 1816)

9.6.05

Há um ano escrevi uma reportagem sobre usabilidade de celulares, inspirado por um papo com Cora Rónai, que gerou um estudo da responsável pelo Laboratório de Usabilidade da Ibmec Business School, Simone Bacellar Leal Ferreira. Acabei me tornando co-autor do estudo, junto com Marcos Gurgel do Amaral, e ele foi apresentado pela Simone mês passado no congresso da IAMOT (International Association for Management of Technology), em Viena, Áustria. Infelizmente não pude estar lá de novo (já estive na cidade uma vez, ela é inesquecível), mas vocês podem imaginar como fiquei prosa. Simone também vai apresentar o estudo aqui, no Congresso Anual de Tecnologia da Informação da Fundação Getúlio Vargas, no fim do mês.

7.6.05

Minicontos do desconforto -- 79

Quando acordou, sabia que ia morrer. Tivera pesadelos terríveis a noite toda, e a manhã estava fria (embora fosse verão) na borda do campo de batalha. Na colina oposta, tremulava o estandarte do adversário -- um arrivista covarde, filho de rainha viúva com camareiro. Ele, ali, o último dos reis guerreiros de uma longa linhagem, sabia que o trono era seu por direito, mas fora longe demais. Mandara matar gente demais; achara que o povo odiaria, como ele e os seus de York, a esposa de seu irmão, o falecido rei Eduardo, uma pobretona que pôs todos os parentes nos melhores cargos e, no fundo, ajudara a levar à Torre seu irmão George.

Mas o povo era volúvel, como o é em todos os tempos, e ele, o caçula e o mais leal irmão do rei Eduardo -- George, era verdade, vivia conspirando -- passou a ser temido. Ainda mais depois que seus sobrinhos desapareceram misteriosamente da Torre. Disseram que ele os havia assassinado para garantir sua permanência no trono.

Só ele sabia a verdade. Mas não podia revelá-la. Deixaria que a História se encarregasse disso, se seus representantes fossem competentes.

Vestiu-se para a batalha e subiu no cavalo, que estava inquieto.

Quando finalmente as lanças e espadas dos soldados do Duque de Richmond atravessaram seu corpo, Ricardo III da Inglaterra só pôde sentir alívio.

Era o ano de 1485 e o campo de Bosworth se encheu de fantasmas. E fantasmas não têm pesadelos.

29.5.05

Extraído de um email que enviei para uma amiga querida:

"Outro dia vi aquele filme em que a Gwyneth Paltrow vive a Sylvia Plath, aquela poeta americana que se matou em 1963. Me identifiquei muito com os mergulhos da personagem na solidão e com sua insegurança eterna. Quando escrevo minhas coisas, é como se eu voltasse a ser um menino: volta a sensação de estar perdido na voragem do mundo, o pavor da solidão, a certeza de ser sempre incompreendido."

20.5.05

O novo episódio de Star Wars é mesmo o melhor desta nova saga de George Lucas. Se eu voltasse aos meus 15 anos (idade com que vi o primeiro episódio da saga antiga), vibraria mais. O começo do filme é um dos melhores começos de filme de aventura dos últimos tempos. Mas a história, é claro, é totalmente previsível.

Mesmo assim, é um clássico com a marca legítima Star Wars.

É como me disse o Jan Theophilo: por que não teve toda essa ação nos dois primeiros, pô?

18.5.05

Outro dia almocei com a Babs. Foi ótimo e matei a saudade, porque mal tenho tido tempo de sair e espairecer. Ela também anda superatarefada com um monte de coisas, e não nos falamos com calma há meses. No almoço, deu para ensaiar uma atualizada no papo, mas ainda faltam muitos chopes para ficarmos up-to-date.

Ela está linda como sempre e com aquela jovialidade capaz de derreter um coração de granito.
Merece, pois, as palavras imortais que Lord Henry Wotton disse a Dorian Gray num jardim vitoriano em 1890:

"You have only a few years in which to live really, perfectly, and fully. (...) Time is jealous of you, and wars against your lilies and your roses. (...) Live! Live the wonderful life that is in you! Let nothing be lost upon you. Be always searching for new sensations. (...) With your personality there is nothing you could not do. The world belongs to you for a season."
Hoje uma amiga muito querida me enviou um email contando que, numa prova a que se submeteu num curso que está fazendo, havia um trecho de reportagem minha no Info Etc. Ela ficou exultante e rimos muito ao telefone (liguei assim que vi a mensagem). E eu também percebi que estou ficando velho mesmo ;-))

De qualquer maneira, é um luxo ser citado nesse contexto, não?

Mudando de assunto: puxa vida, será que é verdade esse negócio de R$ 250 mil para a Ana Paula Padrão no SBT? Se for, chega a dar depressão...