26.10.15

2015, um ano, até agora, de muita agitação profissional e também na música.

13.2.13

Ó minha velha alma
quando foi que te perdi?
quando foi que te transformaste 
nessa estranha que vaga pela casa no escuro? 

antes éramos um
inexpugnável contra a vida
mas agora ela invadiu tuas defesas
e venceu. 

Do outro lado do abismo
dormes um sono inquieto
e eu observo 
o cadáver insepulto do nosso amor
se decompor no carretel das horas.
O passado

Há um botão secreto
no subsolo de minha alma;
ele paralisa o Tempo
e suas damas de companhia, as Aflições.

No mais das vezes
venta e chove na 'situation room'
e os caminhos que levam ao painel
são tão tortuosos quanto o labirinto de Dédalo.

Eis que chega você
e basta seu encanto para decriptar a senha:
que revelação!

Na tarde invernal da cidade de São Sebastião
meus olhos se enchem d'água
e eu agradeço, em mesura antiga,
para disfarçar o impacto.

Que estes versos beijem
todas as suas partículas
e gravem para sempre em suas retinas
a beleza plena de um breve encontro.

17.4.12

Prezados, quem quiser adquirir meu livro "Daniela e outras histórias pode fazê-lo no endereço


http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=&idProduto=791

13.4.12

Prezados, convido vocês para o lançamento de meu primeiro livro de ficção, "Daniela e outras histórias", no Espaço Multifoco (Mem de Sá, 126, Lapa) neste sábado, 14 de abril às 19h.

28.2.12

Em breve, uma surpresa para meus leitores nos "Cadafalsos" desde 2001...

10.8.11

Apesar do avanço das tecnologias para leitura eletrônica de livros, eu sinceramente espero que eles nunca acabem. Alguns dos meus livros estão entre meus melhores amigos, e gosto de estar com eles separadamente, para uma conversa a dois. Isso é impossível num e-reader com 1.500 títulos salvos...

11.5.11

Tempo, eu imploro, me ouça: volte
e me deixe recolher o amor exposto,
causa do meu dest(erro).

Razão! Embora arredia,
não me abandone.
É o seu colo que me resta hoje.

Esperança: vá se deitar, criatura,
que seus adágios só trazem soluços
e tremores.

Escurece... e na estrada esburacada da alma
uma barreira lentamente desliza para o rio.

Caronte sorri.

30.1.11

The first step of the cure is a kiss.
(Kiss, "Calling Dr. Love")

14.12.10





Mais imagens da IAN Band Live Experience, no último sábado, pelo Duda Pereira.

13.12.10




Imagens da IAN Band em sua segunda Live Experience, sábado passado, no estúdio Casagrande, em Botafogo. Rock and roll all nite.

Fotos de Eduardo Pereira.

18.10.10



Fotos da IAN Band Live Experience, no niver do Maloca, no fim de setembro. No alto, Márcio e Gustones, no meio Maloca e por último eu.
A IAN Band num acústico recente: como sempre, numa sexta-feira chuvosa.

8.9.10

Minicontos do desconforto - 101

Passou a vida toda em busca da sabedoria definitiva. Debruçou-se sobre tratados, compêndios, volumes, pinturas, fotos, mapas, sites, blogs, tweets, viajou sem cessar. Concluiu, enfim, que alcançara seu objetivo. Preparou-se para escrever a enciclopédia que iria revolucionar os conceitos universais.

Foi quando uma criança de cinco anos lhe mostrou um objeto que não conhecia.

1.9.10









Mais fotos da IAN Band, no ensaio. De cima para baixo: Gustavo; Maloca e eu; Marcio; Maloca e eu de novo; Gus em ação; Marcio e Maloca; e todos, em sépia. Rock and roooollll!

10.8.10

Não resisto a repetir este post aqui, sobre o ensaio da IAN Band (I am nobody band), na semana que passou. Uma das noites mais divertidas dos últimos tempos. Nada como a música para fazer os problemas desaparecerem.

27.7.10

Bacana mesmo é descrever o amor
e o magnetismo irreprimível
que faz a alma estremecer
diante da beleza dela.

Mas ultimamente é outono aqui dentro
e só há folhas rodopiando
nas margens das veias entediadas;
o vento respirado
só traz odor de passado e saudade
e as retinas não captam mais
os sinais de encantamento que ela emite.

O inverno logo virá para o abraço
Tão branco e antisséptico
quanto as crenças materialistas dos sabidos de plantão.

Bacana não é saber, é se entregar
e se fazer um com ela, com tudo.

Mas o inverno vem, com o tempo nos ombros
e rindo com dentes perfeitos
das nossas paixões ansiosas.

Quem escapará da neve sem trilhas?
Não eu, um poeta sem rumo desde sempre;
não eu, um menestrel de dedos enrugados;
não eu, um ponto e vírgula suspenso no texto.

13.7.10

Vida longa ao rock and roll. Inventaram em 1985 que hoje seria seu dia, mas para minha alma todo dia é dia de rock.

23.6.10

Ainda não tinha visto "Paris, te amo". Meu minicurta favorito do filme é, naturalmente, aquele em que um casal visita o Père Lachaise e briga diante do túmulo de Oscar Wilde. Uma delícia.

6.6.10

My girls are slippin´ away
and there´s just wind and leaves
after their delicate footsteps.

Goodbyes are such a sad affair
and only the sound of electric guitars
can mend all the loneliness.

11.4.10

As autoridades falam de chuvas atípicas depois da tragédia da semana passada. Eu me lembro das tempestades "atípicas" de 1988, quando cheguei bem tarde da noite no sobrado em que morava no Fonseca, e da de 1996, em que estive num Jacarepaguá devastado pelas águas. Desta vez, fiquei muitas horas preso no trânsito e cheguei em casa a uma da manhã. E dei graças a Deus por isso.

26.1.10

Poemas não podem ser construídos
nem medidos.
Não tem lugar neles o altar da Razão;
Banhe suas mãos no fogo das palavras
e queime sem medo enquanto arranca breves faíscas
-- serão elas os versos
como os que jogo para minha musa durante a Tempestade.

Ó musa adorada, não temais meu delírio
pois é ele apenas o motim da Vida enclausurada
contra o capitão do HMS Watch
e sua tripulação de obedientes ponteiros.

Naquela nau amaldiçoada é sempre tarde
mas basta-me ver-vos para imobilizar a corrente atrevida
e desfrutar um instante imortal.

18.1.10

Para uma imperatriz sem diadema (mas uma verdadeira imperatriz)

No salão cheio de ninguéns
seus olhos eram os faróis negros
do conhecimento;
e saber (saber de verdade)
é sempre um risco,
quanto mais saber que se ama.

Olhar seus olhos tão negros
e poder beijá-la de leve no pescoço, no fim da festa,
transtornou o quebra-cabeça engordurado e mal resolvido
que venho me tornando há muitos anos.

E lembro quando você me abraçou com suavidade
e, a Diplomacia personificada,
disse que não poderia vir ao chope.
Mas seu cuidado, seu carinho aveludado
ao expor as minúcias de sua ausência
foi mais caro ao meu coração
que a boêmia em si.

Espero um dia deitá-la em meu colo
e cantar até que mergulhe em sonhos
onde flores amarelas envolvam seu corpo
nos bosques do esquecimento.

7.1.10

Dizem que o Homem foi criado por último para não se sentir orgulhoso. Mas o entendimento corrente é que, sendo o último, ele tudo coroava. Daí a passagem de vítima a algoz do ambiente. Não se pode mais imaginar, como ocorreu no início da era industrial, que os recursos naturais são ilimitados. Modernizado e lendo a si mesmo como um indivíduo-cidadão, o macaco nu amalucado por ideologia, ciência, mercado, álcool, arte, literatura ou religião criou um modo de produção aniquilador da "natureza". Hoje, um planeta enfermo dá sinais daquilo que os "selvagens" conhecem: que não somos senhores privilegiados deste mundo, mas um mero ator entre outros. Se o nosso individualismo coletivo — pomposamente chamado de nacionalismo e de patriotismo — nos faz recalcar o limite; o retorno das diferenças nos diz que temos que aprender a falar uma mesma língua. Não por ideologia ou religião — esses grandes motivadores de tenebrosas transformações sociais — mas porque estamos suicidando o planeta.

(Roberto DaMatta, 23/12/2009)


Perguntam-me: tens viajado? Ou seja: tens ainda o antigo prestígio de ser um brasileiro que mora fora? E eu: não! Agora, viajo pra dentro!

Faça o exercício. Excursione para dentro de si mesmo. Visite os Estados Unidos dos Recalques, o país daqueles seres e experiências que você tentou expulsar de dentro de si mesmo. Passeie pelas Europas da Paris dos amores frustrados. Visite a Terra de Ninguém das Grandes Broxadas, lugar onde o nosso querido Ziraldo jamais pisou. Não perca o Louvre e o British Museum dos tesouros e inocências perdidos. Aproveite o carrossel, a roda gigante, o show e o picolé que rapidamente derrete de Sexolândia. Compre na maravilhosa Bloomingdale que está dentro de você um último modelo de ressentimento — a chegar em breve ao Brasil. Nestas grandes lojas, aliás, as ingratidões, os ódios e as invejas sempre estão em liquidação e são baratíssimos. Siga, depois, até o país mais aberto do mundo, o do Sofrimento — uma terra igualitária e sem fronteiras. Lá, você pode conferir o volume da sua cachoeira de egoísmo, cretinice e inveja que alimenta o lago do sucesso que você com frequência atribui aos outros. Agora, lembre-se que você precisa de um passaporte devidamente visado para penetrar nos Territórios Tabus e para percorrer o fedorento Pântano da Traição, habitado por jacarés com suas numerosas (15, diz o jogo do bicho) máscaras. Só ouse subir até o último andar do edifício das Fantasias Eróticas com a cabeça aberta ou fresca. E só entre na Roma e na Brasília das Promessas Populistas Triunfais de um Brasil Grande, onde cada palavra vale tanto quanto um confete, devidamente vacinado contra a demagogia, o culto de personalidade e a mentira. Mas não se esqueça, querido leitor, de escalar o Monte da Compreensão. No seu topo e num dia claro, você — quem sabe — poderá contemplar sua própria trajetória vendo com clareza os grandes e os pequenos obstáculos. Dali, é possível ver o grande e profundo Oceano do Amor que recebe e devolve todos os nossos impulsos de gratidão, de reconhecimento, e de coragem. Essas coisas que transformam o frágil e o transitório nas únicas coisas que interessam a quem se tornou realmente humano.


(Roberto DaMatta, ontem)

19.12.09

Moçada, um excelente Natal para todos é o que desejo.

26.11.09

Esta madrugada o Kiss fez seu primeiro show transmitido ao vivo pela internet, em Los Angeles, Califórnia. Acompanhei o evento desde o pré-show, que teve entrevistas com os caras responsáveis pela turnê da banda, o empresário (Doc McGhee), o co-produtor do novo disco ("Sonic Boom") e familiares do baixista Gene Simmons, que fazem com ele o reality show "Family Jewels". De vez em quando os membros do grupo passavam pelos repórteres; o baterista Eric Singer conversou um tempo com eles. A parte dos bastidores foi esquentando o clima, enquanto mais e mais gente se conectava ao site de streaming (o show também podia ser visto no Facebook, e tinha links com o Twitter do Kiss).

Quando a banda começou com "Deuce", clássico do primeiro disco, já havia mais de 210 mil espectadores no site, de todo o mundo, mas esse número deve ser maior, pois não era preciso se conectar ao serviço para ver o show (só se você quisesse ficar comentando em tempo real, junto com os outros fãs).

A qualidade do streaming foi impecável e não falhou em nenhum momento; e quem estava acompanhando pela web provavelmente viu muito melhor do que quem estava lá (com a diferença do som e das explosões ao vivo, que não pode ser comparado com o de qualquer transmissão). O show começou às duas e meia da manhã e terminou às cinco (horário do Brasil). Como de costume, foi uma chuva de clássicos ("Hotter than hell", "Shock me", "Strutter", "Let me go rock and roll", "Shout it out loud", "Black diamond", "Parasite", "Cold gin", "Love gun", "Detroit rock city"... ) Eles só tocaram duas músicas do disco novo, "Modern day Delilah" e "Say yeah", ambas cantadas por Paul Stanley. Espero que incluam nos shows vindouros algumas das faixas cantadas por Simmons, como "Russian Roulette" e "(Yes I Know) Nobody´s Perfect".

Eric Singer e Tommy Thayer completam a banda muito bem e não deixam nada a dever aos membros originais que substituíram (Peter Criss e Ace Frehley, cujo disco solo novo, "Anomaly", depois de 20 anos, é um sopro de ar fresco no rock pesado americano).

Para mim, foi uma madrugada inesquecível. Que venham outros shows ao vivo pela rede. (A foto é de Mônica Imbuzeiro).

25.11.09

Isto é que é uma abertura de peça teatral.

"Now is the winter of our discontent
Made glorious summer by this sun of York;
And all the clouds that lowered upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.
Now are our brows bound with victorious wreaths,
Our bruised arms hung up for monuments,
Our stern alarums changed to merry meetings,
Our dreadful marches to delightful measures.
Grim-visaged war hath smoothed his wrinkled front,
And now, instead of mounting barbed steeds
To fright the souls of fearful adversaries,
He capers nimbly in a lady's chamber
To the lascivious pleasing of a lute.
But I, that am not shaped for sportive tricks
Nor made to court an amorous looking-glass;
I, that am rudely stamped, and want love's majesty
To strut before a wanton ambling nymph;
I, that am curtailed of this fair proportion,
Cheated of feature by dissembling nature,
Deformed, unfinished, sent before my time
Into this breathing world scarce half made up,
And that so lamely and unfashionable
That dogs bark at me as I halt by them -
Why I, in this weak piping time of peace,
Have no delight to pass away the time,
Unless to spy my shadow in the sun
And descant on mine own deformity.
And therefore, since I cannot prove a lover
To entertain these fair well-spoken days,
I am determined to prove a villain
And hate the idle pleasures of these days."

(Shakespeare, Richard III)

5.11.09

De volta das férias, por isso a longa ausência. De casa nova aqui no jornal, com a mudança da redação da Digital de lugar. Estou achando o novo ambiente muito interessante; além disso, estou mais perto de algumas pessoas muito especiais para mim. Vejam a foto.

Passei parte das férias em Penedo, onde fiz com Wal um tour gastronômico e experimentei algumas cervejas alemãs muito antigas. Uma delas é da mais antiga cervejaria do mundo em atividade, que era uma abadia dedicada a Santo Estêvão no século VIII e virou cervejaria por volta de 1040. Uma viagem etílica no tempo...


19.9.09

Minicontos do desconforto - 100

O amor pode estar num SMS de bom dia, ou num email no cerne do fechamento desgovernado; o amor sobrevive ao trânsito e às distâncias chuvosas e à dificuldade de achar as torres; porque no fundo ele nunca está muito longe (somos nós que não sabemos procurar, com as gavetas de nossa memória sempre desorganizadas e nosssos cofres de emoções cheios de estranhas senhas com símbolos ininteligíveis, cuja chave criptográfica vamos perdendo pelo caminho.)

Minha amiga adorada, não se pode pertencer a alguém nessa vida, ainda que tentemos - amar é bem mais forte do que isso. Ainda assim, esta noite, meu colo é seu. Venha e ocupe-o, deite a cabeça no meu peito e deixe-me sussurrar os velhos feitiços das sacerdotisas de Afrodite; tire suas tristezas do catre, libere-as do cativeiro e graciosamente permita que morram de insolação diante da luz de nós dois.

25.8.09

Há quem ache que o Twitter substitui os blogs. Eu discordo. Aqui posso me alongar e me espreguiçar - o tweet é outra coisa.

16.7.09

De volta de viagem a trabalho na Califórnia, na semana passada. No último dia, que era livre, tive a oportunidade de visitar algumas vinícolas na região de Sonoma. Por isso hoje mesmo twittei que "in vino veritas" - a verdade está no vinho. Além do natural prazer da degustação, fiquei vivamente impressionado com a paixão sobre o tema demonstrada por nossa anfitriã num dos vinhedos, que contou a história do lugar com um jeito todo especial, com uma simpatia a toda prova. Ela já tinha uma certa idade, mas o amor pelo vinho e pelas delicadas facetas do bebê-lo conferiu-lhe uma jovialidade inimitável; conheço muitos jovens com almas bem mais idosas do que essa senhora. E eu mesmo, que me sinto envelhecer e não gosto nada do processo, me senti jovem e entusiasmado de novo perto dela. Fiz questão de cumprimentá-la efusivamente e dizer-lhe que era a anfitriã perfeita. Não esquecerei a experiência (que ela - seu nome é June - definiu assim para um colega enquanto lhe servia vinho, rindo: "oh, you want to have your June experience in July...") e, se puder, um dia lá voltarei.

Enquanto isso não acontece, este post fica como uma pequena homenagem e uma lembrança, para mim e para vocês, de que ter ou observar a verdadeira paixão pelas boas coisas (e pessoas, e ações, e situações) faz florescer a primavera dentro de nossos peitos seja qual for a estação do ano. Obrigado, June. E saúde!

5.7.09

Ontem assisti pela milésima vez a "Shakespeare apaixonado". "Romeu e Julieta", ao lado de "Ricardo III", é minha peça favorita do Bardo, e a beleza de Gwyneth Paltrow é arrebatadora na tela. Sabem aquelas cenas em que, não importa quantas vezes você veja, uma lágrima furtiva é derramada? Acontece comigo todas as vezes quando termina a apresentação de estreia de "Romeu e Julieta" no filme: fica um silêncio enorme do teatro e depois a plateia irrompe num aplauso estrondoso diante da verdadeira expressão da Beleza que todos acabaram de fruir. Não dá para não se emocionar.

Outra cena em que é impossível não ficar arrasado é quando, em "Coração Valente", o William Wallace ainda menino está no enterro de seu pai, morto de forma terrível, e a menina Murron se apieda dele e lhe dá uma flor.