"I think a change would do you good."
(Sheryl Crow)
28.1.05
25.1.05
Minicontos do desconforto -- 77
(para Crib Tanaka)
Acendeu a vela e olhou para o rosto marcado no espelho do banheiro. Mais uma vez a luz se fora, mas ela até preferia a casa assim, às escuras. Desse jeito não dava para ver as paredes desbotadas, as infiltrações, o chão de ardósia sem graça e os móveis doados pelos parentes ao longo dos anos. Que decoração.
Voltou para a sala, a fumaça esguia da vela evolando-se devagar e silenciosamente por sobre o ombro. Então percebeu que a luz tênue mostrava um outro ambiente: cortinas pesadas, cadeiras do século XIX, um pedaço de tapete persa no chão, um aparador rebuscado... Onde estava o televisor? E o celular que estava sendo carregado em cima da mesa... ah, a mesa era outra, redonda, com uma toalha de renda e louça Limoges. Taças cheias de vinho.
E ele ali, observando-a. Só que com roupas dos anos 1890.
Sentou-se. Percebeu que estava falando em francês. Bebeu do vinho, vermelho e cheio de vida, acordando seu sangue há muito estacionário.
E então, de repente, estava rindo. A fumaça da vela parecia rir com ela, dançando no meio dos dois, agora num castiçal que aparecera do nada.
A noite caminhou célere. Os risos aumentaram. Ela jurou ter ouvido violinos e um piano. Até que, vencida pelo vinho e pela alegria, desmaiou suavemente sobre a mesa.
Acordou com a cara em cima do celular, as luzes acesas como uma explosão diante de seus olhos. A vela se consumira. Um montinho de cera marcava seu lugar.
Achou que havia sonhado. Só entendeu que havia acontecido um milagre quando foi à cozinha beber água e achou a caixa de velas em cima da pia. Com todas as velas dentro.
(para Crib Tanaka)
Acendeu a vela e olhou para o rosto marcado no espelho do banheiro. Mais uma vez a luz se fora, mas ela até preferia a casa assim, às escuras. Desse jeito não dava para ver as paredes desbotadas, as infiltrações, o chão de ardósia sem graça e os móveis doados pelos parentes ao longo dos anos. Que decoração.
Voltou para a sala, a fumaça esguia da vela evolando-se devagar e silenciosamente por sobre o ombro. Então percebeu que a luz tênue mostrava um outro ambiente: cortinas pesadas, cadeiras do século XIX, um pedaço de tapete persa no chão, um aparador rebuscado... Onde estava o televisor? E o celular que estava sendo carregado em cima da mesa... ah, a mesa era outra, redonda, com uma toalha de renda e louça Limoges. Taças cheias de vinho.
E ele ali, observando-a. Só que com roupas dos anos 1890.
Sentou-se. Percebeu que estava falando em francês. Bebeu do vinho, vermelho e cheio de vida, acordando seu sangue há muito estacionário.
E então, de repente, estava rindo. A fumaça da vela parecia rir com ela, dançando no meio dos dois, agora num castiçal que aparecera do nada.
A noite caminhou célere. Os risos aumentaram. Ela jurou ter ouvido violinos e um piano. Até que, vencida pelo vinho e pela alegria, desmaiou suavemente sobre a mesa.
Acordou com a cara em cima do celular, as luzes acesas como uma explosão diante de seus olhos. A vela se consumira. Um montinho de cera marcava seu lugar.
Achou que havia sonhado. Só entendeu que havia acontecido um milagre quando foi à cozinha beber água e achou a caixa de velas em cima da pia. Com todas as velas dentro.
16.1.05
Minicontos do desconforto -- 76
(para Elis)
Ela desconfiou quando ele começou a se vestir melhor, a botar um perfuminho antes de sair: já fora ferida além da conta para suportar mais uma traição. Sua mente começou a rodar spywares tentadores e, numa quarta-feira em que ele avisou que chegaria mais tarde, não resistiu e seguiu-o.
Viu-o sair do trabalho e entrar num táxi. Entrou noutro e mandou não perder o da frente de vista, como nos filmes.
O táxi dele parou num bar na Lapa. Ele saltou e entrou. Ela fez o mesmo, abrindo a porta do bar a tempo de vê-lo subir para o segundo andar, envolto em sombras. "Cachorro", pensou.
Subiu a escada já despida da preocupação de que ele a visse. Os saltos bateram forte nos degraus; ele ia ver só, ela ia fazer um escândalo.
Foi quando ficou momentaneamente cega pelo acender de luzes fortíssimas.
-- Feliz aniversááááario!!!! -- gritou a multidão, já no embalo de uma de suas músicas preferidas da trilha de um filme romântico.
Ele, rindo muito, estava com um buquê de rosas vermelhas na mão. Devagar, abraçou-a, beijou-a na orelha e sussurrou:
-- Você precisa ter mais fé, dear.
Ela ficou tão sem graça que no dia seguinte comprou-lhe um terno novo e um perfume caríssimo.
(para Elis)
Ela desconfiou quando ele começou a se vestir melhor, a botar um perfuminho antes de sair: já fora ferida além da conta para suportar mais uma traição. Sua mente começou a rodar spywares tentadores e, numa quarta-feira em que ele avisou que chegaria mais tarde, não resistiu e seguiu-o.
Viu-o sair do trabalho e entrar num táxi. Entrou noutro e mandou não perder o da frente de vista, como nos filmes.
O táxi dele parou num bar na Lapa. Ele saltou e entrou. Ela fez o mesmo, abrindo a porta do bar a tempo de vê-lo subir para o segundo andar, envolto em sombras. "Cachorro", pensou.
Subiu a escada já despida da preocupação de que ele a visse. Os saltos bateram forte nos degraus; ele ia ver só, ela ia fazer um escândalo.
Foi quando ficou momentaneamente cega pelo acender de luzes fortíssimas.
-- Feliz aniversááááario!!!! -- gritou a multidão, já no embalo de uma de suas músicas preferidas da trilha de um filme romântico.
Ele, rindo muito, estava com um buquê de rosas vermelhas na mão. Devagar, abraçou-a, beijou-a na orelha e sussurrou:
-- Você precisa ter mais fé, dear.
Ela ficou tão sem graça que no dia seguinte comprou-lhe um terno novo e um perfume caríssimo.
29.12.04
Well I'm staring down from Venus in the dead of night
My mind is thinking back to when the world was right
Your guns and bombs keep rolling off the assembly line
And people keep on starving and you think that's just fine
With my head in the clouds
its easy to see
You better live together peacefully
You know the world is still your family tree
So keep it straight - remember me
It's not too late - remember me
Well I'm floating and spinning and flying above the Earth's atmosphere
And I've got a few things to say
That you may not wanna hear
Now there's just enough time to repair it
As long as you don't let it get you down
But there's not a whole lot you can do for yourself
when you're buried underground
With my head in the clouds
its easy to see
You better live together peacefully
You know the world is still your family tree
So keep it straight - remember me
It's not too late - remember me
There's so much yelling an screamingand lying and cheatingand robbing and preaching
That we've heard it all
We need some loving and caring
And kissing and hugging
And helping each other
Or we're gonna fall
And that'll be all
So remember me
(Ace Frehley, in "Trouble Walking")
Feliz 2005, moçada!
My mind is thinking back to when the world was right
Your guns and bombs keep rolling off the assembly line
And people keep on starving and you think that's just fine
With my head in the clouds
its easy to see
You better live together peacefully
You know the world is still your family tree
So keep it straight - remember me
It's not too late - remember me
Well I'm floating and spinning and flying above the Earth's atmosphere
And I've got a few things to say
That you may not wanna hear
Now there's just enough time to repair it
As long as you don't let it get you down
But there's not a whole lot you can do for yourself
when you're buried underground
With my head in the clouds
its easy to see
You better live together peacefully
You know the world is still your family tree
So keep it straight - remember me
It's not too late - remember me
There's so much yelling an screamingand lying and cheatingand robbing and preaching
That we've heard it all
We need some loving and caring
And kissing and hugging
And helping each other
Or we're gonna fall
And that'll be all
So remember me
(Ace Frehley, in "Trouble Walking")
Feliz 2005, moçada!
28.12.04
Minicontos do desconforto -- 75
(para Carolina)
Viu a neta sofrendo. Dias sem comer. Luzes apagadas e Carpenters na vitrola. Decidiu escrever-lhe uma pequena carta e enfiou-a sob a porta.
"Não tenha vergonha de carpir a morte do seu amor", foi o que leu a neta, com os olhos remelentos de lágrimas. "Quando eu tinha a sua idade, já lera muitos tratados de filosofia e decidi que amar não era uma opção. Principalmente para a mulher, que acaba sempre subjugada por esse sentimento que, então, eu achava maldito. Até que conheci Juan numa festa, que me abordou com as costumeiras palavras elegantes dos malandros. Mal esperava ele receber um jato de argumentos cínicos da boca de tão bela donzela. Titubeou, mas não esmoreceu. Até que, cansada de ficar sentada ouvindo as conversas frívolas de minha primas, resolvi dançar, lá pela meia-noite. E, naquela dança, alguma coisa aconteceu que eu não soube precisar. Mas me deixou cismando por dias.
Perguntei por Juan a uma amiga; ela me disse que ele trabalhava no jornal do Lacerda. Decidida, fui à redação e, vendo-o ali, escrevendo em meio àquele burburinho irresistível dos repórteres no fim de tarde. Estava tão sério e compenetrado -- parecia um jovem filósofo do cotidiano. E tão jovem! Ali, minha mente virou de cabeça para baixo, eu esqueci todo o meu discurso e beijei-o depois de um café despretensioso.
Seguiu-se uma paixão tórrida, que exauriu todas as minhas forças. Logo eu, que me considerava a mais preparada adversária do sentimento, capitulei com uma vontade que não havia percebido em mim.
Até que um dia vi Juan na Colombo com uma vedete. Então foi minha vez de me trancar no quarto e afogar de lágrimas o Zaratustra de Nietszche, querendo que minha vontade férrea fosse a mesma do super-homem.
Mas foi na dor que descobri, afinal, que era humana, e que o amor incendiário é finito, como nossos anos, contados do minuto em que nascemos. E, como escreveu Wilde, da dor que dura para sempre consegui extrair o prazer que dura um instante -- o suficiente para rir de minha arrogância e amar de novo, e ser mais sábia, e compreender a fluidez da paixão.
Fui lá, tirei Juan da vedete e namoramos até cansar. Eu me diverti horrores e acho até que o escandalizei um pouco. No fim, cansei e deixei-o (foi quando ele escreveu suas melhores crônicas).
Nessa época, comecei a arrastar a asa para seu avô, que Deus o tenha. Mas só nos casamos depois que eu namorei vários outros.
Portanto, acredite. Vai passar. E você também vai rir depois."
A neta foi tomar café no dia seguinte. E comeu tudinho.
Havia um novo brilho em seus olhos negros.
(para Carolina)
Viu a neta sofrendo. Dias sem comer. Luzes apagadas e Carpenters na vitrola. Decidiu escrever-lhe uma pequena carta e enfiou-a sob a porta.
"Não tenha vergonha de carpir a morte do seu amor", foi o que leu a neta, com os olhos remelentos de lágrimas. "Quando eu tinha a sua idade, já lera muitos tratados de filosofia e decidi que amar não era uma opção. Principalmente para a mulher, que acaba sempre subjugada por esse sentimento que, então, eu achava maldito. Até que conheci Juan numa festa, que me abordou com as costumeiras palavras elegantes dos malandros. Mal esperava ele receber um jato de argumentos cínicos da boca de tão bela donzela. Titubeou, mas não esmoreceu. Até que, cansada de ficar sentada ouvindo as conversas frívolas de minha primas, resolvi dançar, lá pela meia-noite. E, naquela dança, alguma coisa aconteceu que eu não soube precisar. Mas me deixou cismando por dias.
Perguntei por Juan a uma amiga; ela me disse que ele trabalhava no jornal do Lacerda. Decidida, fui à redação e, vendo-o ali, escrevendo em meio àquele burburinho irresistível dos repórteres no fim de tarde. Estava tão sério e compenetrado -- parecia um jovem filósofo do cotidiano. E tão jovem! Ali, minha mente virou de cabeça para baixo, eu esqueci todo o meu discurso e beijei-o depois de um café despretensioso.
Seguiu-se uma paixão tórrida, que exauriu todas as minhas forças. Logo eu, que me considerava a mais preparada adversária do sentimento, capitulei com uma vontade que não havia percebido em mim.
Até que um dia vi Juan na Colombo com uma vedete. Então foi minha vez de me trancar no quarto e afogar de lágrimas o Zaratustra de Nietszche, querendo que minha vontade férrea fosse a mesma do super-homem.
Mas foi na dor que descobri, afinal, que era humana, e que o amor incendiário é finito, como nossos anos, contados do minuto em que nascemos. E, como escreveu Wilde, da dor que dura para sempre consegui extrair o prazer que dura um instante -- o suficiente para rir de minha arrogância e amar de novo, e ser mais sábia, e compreender a fluidez da paixão.
Fui lá, tirei Juan da vedete e namoramos até cansar. Eu me diverti horrores e acho até que o escandalizei um pouco. No fim, cansei e deixei-o (foi quando ele escreveu suas melhores crônicas).
Nessa época, comecei a arrastar a asa para seu avô, que Deus o tenha. Mas só nos casamos depois que eu namorei vários outros.
Portanto, acredite. Vai passar. E você também vai rir depois."
A neta foi tomar café no dia seguinte. E comeu tudinho.
Havia um novo brilho em seus olhos negros.
27.12.04
"Ondas gigantes matam 12 mil em países da Ásia" -- esta manchete me pareceu ficção científica ao acordar hoje. Pelo meio-dia, os mortos já haviam chegado a 23 mil. É como se diz: para morrer basta estar vivo. Que as almas levadas tão subitamente por mais este capricho do Destino encontrem paz onde quer que estejam.
17.12.04
15.12.04
Fui ontem ao show da Norah Jones. Esperava algo meio morno, mas a apresentação foi gostosa demais. Em meio às baladas, ela espetou músicas country, climões de jazz e até alguns rocks (tocaram até The Band). A banda, afiadíssima, contou com o veterano Robbie McIntosh e Adam Levy nas guitarras, ambos excelentes e protagonistas de solos melodiosos. O baterista Andrew Borger deu um show à parte nas músicas mais climáticas, e a própria Norah canta horrores sem fazer a menor força.
13.12.04
4.12.04
Em breve, os minicontos prometidos. Dia 30 passou e o blog fez três aninhos.
E também fotos do meu niver (é hoje, mas a bagunça foi ontem -- está narrada no Cadafalso I). Aguardem.
E também fotos do meu niver (é hoje, mas a bagunça foi ontem -- está narrada no Cadafalso I). Aguardem.
25.11.04
24.11.04
16.11.04
6.11.04
28.10.04
Minicontos do desconforto -- 74
Foi um gesto tão simples: o homem estava passando no corredor, ela acenou, veio ao seu encontro e lhe deu um CD que havia gravado para ele.
Em casa, ele não teve coragem de ouvir. Apenas tirou a velha foto da ex do porta-retratos e inseriu com cuidado aquele CD, em cuja superfície estava escrito: "para Robert, com carinho".
O disquinho ganhou lugar de honra na estante e ali ficou, mudo testemunho da imensa solidão do homem.
Um dia, a amiga veio saber se ele tinha gostado da música escondida na mídia.
-- Eu não escutei -- foi a resposta.
-- Mas por quê?
-- Porque durante todo o seu trajeto de sua mesa até este corredor, naquele dia, eu pude escutar a música que toca dentro de você, e desde então não preciso ouvir nenhuma outra.
Foi um gesto tão simples: o homem estava passando no corredor, ela acenou, veio ao seu encontro e lhe deu um CD que havia gravado para ele.
Em casa, ele não teve coragem de ouvir. Apenas tirou a velha foto da ex do porta-retratos e inseriu com cuidado aquele CD, em cuja superfície estava escrito: "para Robert, com carinho".
O disquinho ganhou lugar de honra na estante e ali ficou, mudo testemunho da imensa solidão do homem.
Um dia, a amiga veio saber se ele tinha gostado da música escondida na mídia.
-- Eu não escutei -- foi a resposta.
-- Mas por quê?
-- Porque durante todo o seu trajeto de sua mesa até este corredor, naquele dia, eu pude escutar a música que toca dentro de você, e desde então não preciso ouvir nenhuma outra.
25.10.04
Eu ainda não contei isso: no início do mês, dei uma palestra para estudantes do ensino médio do Instituto Gay Lussac, em Niterói. Falei sobre jornalismo e sobre o livro que escrevi com mestre Aroaldo Veneu. Foi uma experiência desafiante falar para um público de adolescentes, mas acho que consegui me sair razoavelmente bem.
* * *
E, antes tarde do que nunca, Aroaldo deu uma excelente entrevista sobre o livro no "Sem Censura", na TVE, há alguns dias.
* * *
E, antes tarde do que nunca, Aroaldo deu uma excelente entrevista sobre o livro no "Sem Censura", na TVE, há alguns dias.
19.10.04
Fernando Sabino, hasta la vista.
"O encontro marcado" é um dos livros da minha vida. Irresistível, cheio da força da juventude, realmente um livro-ritual de passagem.
Também gosto das crônicas dele, que me lembram o comentário de um prefaciante à obra de Joaquim Manoel de Macedo: nem sempre, na literatura, é preciso escrever montanhas; as colinas suaves também têm seu lugar (era isso ou algo parecido). E o Fernando cronista era o dono absoluto dessas colinas refrescantes da vista nas pradarias.
* * *
Christopher Reeve, para mim, não era o o eterno Super-homem, mas o Richard Collier de "Em algum lugar do passado", um de meus filmes favoritos (o livro é ainda melhor, e mais triste).
* * *
Tem dias que a gente só quer deitar e deixar a vida passar.
"O encontro marcado" é um dos livros da minha vida. Irresistível, cheio da força da juventude, realmente um livro-ritual de passagem.
Também gosto das crônicas dele, que me lembram o comentário de um prefaciante à obra de Joaquim Manoel de Macedo: nem sempre, na literatura, é preciso escrever montanhas; as colinas suaves também têm seu lugar (era isso ou algo parecido). E o Fernando cronista era o dono absoluto dessas colinas refrescantes da vista nas pradarias.
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Christopher Reeve, para mim, não era o o eterno Super-homem, mas o Richard Collier de "Em algum lugar do passado", um de meus filmes favoritos (o livro é ainda melhor, e mais triste).
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Tem dias que a gente só quer deitar e deixar a vida passar.
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