14.4.04

Extraído do blog do Léo Jaime:

"Guerra do tráfico no Rio

Só há tráfico porque há compradores. O dinheiro para as balas que oprimem a sociedade sai do bolso do usuário. A grana que corrompe o estado brasileiro sai do bolso do usuário.
Uma pergunta: não dá pra ficar sem comprar? Nem esses episódios o motivam? Saber que o mundo em que você vive está pior por sua causa, que gente inocente morre todo dia, que criancas são cooptadas pelo crime, que toda a estrutura do país fica comprometida não te deixa com vontade de deixar de comprar por uns seis meses?
É impressionante a falta de civilidade. É impressionante o nivel de alienação. E um horror que nessa guerra a população esteja inclinada a torcer pelos bandidos e contra a polícia."


Há muita hipocrisia na mídia sobre esse assunto. Eu tenho horror a Little Boy e Little Rose, mas é fácil jogar a culpa em cima do governo e das corporaçòes (como todos gostamos de fazer) e não pensar em como a droga está disseminada socialmente e culturalmente hoje em dia.

Nesse ponto o pessoal "muderno" pode me chamar de extremamente careta. Experimentei maconha duas vezes para nunca mais. Fico nas drogas "legais": álcool e cigarro (e não sou viciado em nenhuma delas). E faço absoluta questão de educar minhas filhas para que elas não alimentem o ciclo.

Certamente falta governança e infra-estrutura decente para o trabalho policial. Mas, como no caso dos pitboys, faltam pais responsáveis que tomem a si, a sério, a tarefa de criar um filho.

E falta, sim, o país acreditar que investir em educação é a saída. E não no "spread" mais alto do mundo.

8.4.04

Estou lendo "O livro de Saladino", do paquistanês Tariq Ali. É uma biografia romanceada do grande sultão que tomou Jerusalém dos cruzados no fim do século XII. Não consigo largar, a narrativa é uma delícia.
Acharam o avião do Saint-Exupéry. Falta achar o do Glenn Miller, que sumiu no mesmo ano.

4.4.04

E o que é Allison Lohman no filme "Deixe-me viver", ao lado de Michelle Pfeiffer e Renée Zellwegger?
Ela até que tenta, mas não consegue ficar feia. É a própria beleza (na foto, com Patrick Fugit, de "Quase famosos).
Quem não viu, que veja "Identidade". É imperdível. Vi ontem com Jessica, e curtimos muito a história do misterioso motel de beira de estrada em que começam a ocorrer crimes...

26.3.04

Minicontos do desconforto -- 67

O imperador respirava com dificuldade em seu palácio. Sentia a morte se aproximando e o remorso lhe corroía mais os pulmões do que a tuberculose galopante e sorridente. Tivera uma vida regida por impulsos, entre os quais os da carne não ficavam por último. Pensou na primeira esposa, que tanto fecundara e fizera sofrer. Era o seu castigo, morrer jovem -- tinha apenas 36 anos -- apesar (ou talvez por causa) das missões cumpridas e do desejo de açoitar mais a vida, de dominá-la.

Quando ele chegou ao Portão, São Pedro, que imaginava que o impetuoso soberano iria direto para o inferno, recebeu um SMS do celular do Altíssimo:

-- Esse aí me divertiu muito durante sua curta vida. Mande-o para o departamento grego.

E foi assim que D. Pedro I seguiu para a eternidade ao lado de Zeus e sua corte. E dizem as más línguas das Erínias que o Olimpo nunca mais foi o mesmo.

19.3.04

"If you have built castles in the air, your work need not be lost; that is where they should be. Now put the foundations under them."

Henry David Thoreau

17.3.04

Enquanto se discute Luma de Bombeiroliveira e Zeca Pagodinho, o número 1 que só experimenta, o reality show da vida baixou mesmo no Senado, com um desempregado clamando por comida da beira das galerias. Cena mais Janete Clair, impossível. Pena que foi um só. Deviam ter sido uns cem para acordar esse pessoal de Brasília.

Meu Deus, nunca pensei que ia ter saudade dos tempos inflacionários do Zé Sarney. Ele bem que podia se reeleger e fazer um novo plano Cruzado, só que mais pactuado com a turma do andar de cima, para evitar o desabastecimento. A época entre 85 e 89 foi a única na minha vida em que tive algum dinheiro para viver com alguma despreocupação. Não agüento mais minha vida de classe "mérdea".

11.3.04

Semana corrida, para variar. Viajo a trabalho nos próximos dias. Depois volto com calma e conto tudo.

7.3.04

E a Luma, hein? ;-)
Vale cantarolar o clássico "Firehouse", do Kiss:

"Get the firehouse!
'Cause she sets my soul on fire..."
Outra boa de mestre C@t:

Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal - Sentença proferida em 1487, no processo contra o Prior de Trancoso - Autos arquivados no armário 5º, maço 7:

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de 62 anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com 29 afilhadas e tendo delas 97 filhas e 37 filhos. De cinco irmãs, teve 18 filhas; de nove comadres 38 filhos e 18 filhas; de sete amas teve 29 filhos e cinco filhas; de duas escravas teve 21 filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: 299, sendo 214 do sexo feminino e 85 do sexo masculino, tendo concebido em 53 mulheres".

O prior escapou da morte, tendo o rei D. João II lhe poupado a vida.

Segundo C@t, esta é apenas uma das pérolas processuais publicadas às terças e sextas-feiras no site Espaço Vital.

4.3.04

Já está na terceira fase a seqüência de publicação dos Minicontos deste guardião no site literário paralelos. A seqüência, editada por mestre Augusto Sales, vai do miniconto 21 ao 30. Aqui.

29.2.04

Minicontos do desconforto -- 66

Quando o dr. Victor Frankenstein chegou à terra além da morte, os cientistas incompreendidos de todos os tempos vieram lhe prestar solidariedade. O célebre personagem recebeu até os cumprimentos de sua criadora, Mary Shelley, que se penitenciava por haver tornado sua vida tão infeliz. (Não tanto quanto ele conseguira fazer com sua heterogênea criação, o monstro cujo único traço realmente aterrorizante é a solidão.)

Frankenstein sentou-se num canto de nuvem e chorou por boa parte da eternidade, até que um velho monge budista passou por ele e decidiu conceder-lhe mais uma vida, para que ele entendesse que não pecara tanto assim. O monge fez um gesto e zás! não se ouviu mais o ranger de dentes do cientista.

Frankenstein reeencarnou como cirurgião plástico no Rio de Janeiro, a poucos meses do carnaval carioca.

19.2.04

Momo me propiciou alguns carnavais deliciosos. Sempre em bailes no interior. Mas nunca liguei para festa com data marcada. E, como vocês sabem, meu negócio é rock and roll.
Acho que este ano não vou escapar daquela sensação de estranheza que vemos em alguns filmes: minha turma de faculdade faz vinte anos de fim de curso (na verdade, a formatura foi em março de 85, mas o curso acabou em dezembro). Parece que vai haver festa.
Retiro etílico-espiritual à vista no carnaval.
Perto do mar.

13.2.04

Minicontos do desconforto -- 65

-- O que foi isso? -- perguntou a enfermeira, ao ver o profundo corte na cabeça dele.
-- Eu só disse a ela que queria um pouco mais de romance...
-- Só isso?
-- ...aí ela me golpeou com "Razão e sensibilidade."

10.2.04

Minicontos do desconforto -- 64

Ruminava sobre qual seria sua missão na Terra quando a barata voadora entrou pela janela e entrou na camisola da irmã, que ficou em pânico. Logo o inseto saiu e inadvertidamente parou sob a sola de seu tênis. Adeus, gritou a pequena pulga na cabeça do gato para a barata, que não ouviu.

São Pedro olhou o Livro e viu que a missão dele era salvar a irmã de quebrar o pescoço ao cair do sofá assim que a barata saísse da camisola; e ele a aparara com seus braços fortes ao mesmo tempo que pisava no inseto.

Pelo Livro, ele deveria vir ter com o Porteiro. Mas o santo tinha tomado o vinho deixado por um velhinho mafioso que tentara suborná-lo e resolveu deixar o rapaz viver.

O resultado foi uma vida governada pela angústia.

6.2.04

Alguém aí viu "Cold Mountain"? O que acharam? Vale a pena ver?

2.2.04

It has been said that man is a rational animal. All my life I have been searching for evidence which could support this.

(Bertrand Russell)